Este é um trabalho que desenvolvi no primeiro semestre de 2008 com uma colega. Trata-se de uma pauta sobre os estragos e consequências da chuva em locais de construção irregular no distrito de Barão Geraldo, localizado em Campinas-SP.
A urbanização acelerada de Barão Geraldo fez com que as chuvas fortes se tornassem um problema para os moradores do distrito. Por causa da impermeabilização do solo e da construção de casas em lugares inapropriados, enchentes e alagamentos tornaram-se rotineiros em algumas áreas. O principal problema é observado em dois bairros, Piracambaia e Vale das Garças, situados às margens do rio Atibaia, que transborda quando chove muito e invade as residências.
A situação mais dramática é a do Piracambaia, próximo à várzea do rio. Neste local, há cerca de 20 anos, foi aprovado um loteamento com chácaras de 5 mil metros quadrados cada. Posteriormente, os terrenos foram desmembrados ilegalmente para a construção de casas. Neste local residem cerca de 500 moradores. Já no Vale das Garças, os lotes residenciais têm até 250 metros quadrados, conforme aprovado pelo poder público. Em ambos os bairros, por se tratar de uma área de preservação ambiental, não é permitido asfaltar as ruas.
“Qualquer chuvinha dá medo!”, diz Luciana Ferreira, empregada doméstica. “No ano passado, acordamos às 4h30 da manhã com a água invadindo a casa. Chegou até a altura da cintura. Às vezes eles abrem as comportas de Sousas, mas não avisam os moradores”, diz, referindo-se a abertura dos açudes do distrito de Sousas. Neste dia, Luciana e sua mãe correram para casa de vizinhos, enquanto esperavam o nível do rio abaixar. “Uma vizinha minha perdeu a geladeira, perdeu tudo! E teve que ficar na casa de parentes. Ninguém vem aqui ajudar”, afirma a moradora. O caso mais grave de alagamento aconteceu no dia 17 de Fevereiro de 2003, quando mais de 58 casas foram alagadas. Desde então, os moradores do bairro sentem mais medo e reclamam da situação.
José Benedito Silva, jardineiro, morador do Vale das Garças, disse que um dos principais problemas causados pela chuva é a lama que fica nas ruas. “É impossível atravessar aqui com esse barro todo”, alegou Silva. No Vale das Garças existem galerias pluviais que jogam a água no rio Atibaia; mas, quando a água sobe, retorna pela galeria. A solução foi construir uma comporta no rio que fecha a boca do cano. Ainda assim, quando chove muito, a água da chuva tem dificuldade de ser escoada, causando inundações.
De acordo com Sérgio Marcatti, subprefeito do distrito, não há uma solução para o problema, uma vez que as casas foram construídas numa área de inundação do rio. O máximo que a subprefeitura consegue fazer é nivelar com trator as principais vias para fechar os buracos abertos pela chuva. “Não precisa nem chover nos bairros para se ter um problema sério. Basta chover em outros locais do rio Atibaia para termos inundação por aqui”, disse Marcatti. “Depois que chove é feito manutenção nas ruas com motoniveladoras. Os moradores entram em contato para ser feita a manutenção”.
De acordo com o ex-subprefeito Thiago Ferrari, os problemas de alagamentos e de enchentes também atingiam áreas centrais do distrito, como nas Avenidas 1 (Dr. Romeu Tórtima) e a 2 (Professor Atílio Martini) da Cidade Universitária, onde a capacidade das pontes e aduelas (estruturas pré-fabricadas de concreto armado usadas na canalização de córregos) foi aumentada e os cursos d’água, tanto o do Ribeirão das Pedras como do Anhumas, foram desassoreados. Na ponte próxima ao balão do condomínio Barão do Café, localizado próximo à estrada da Rhodia, obras estruturais foram feitas para ampliar sua capacidade. No final do bairro Guará, por onde passa o córrego Anhumas, ainda existe o risco de inundação. Qualquer chuva muito acima do normal coloca em risco não apenas os moradores do bairro como também os do Jardim Alto da Cidade Universitária e da Vila Holândia.
O crescimento do distrito, que até vinte anos atrás tinha cerca de 20 mil habitantes, e agora está acima dos 60 mil, não implicou em um planejamento para as construções, que impermeabilizaram o solo. “Não havia preocupação com a questão ambiental nem com a impermeabilização do solo e do crescimento do distrito. Em vários lugares podemos observar construções quase em cima dos córregos, dos rios, como no caso do Ribeirão das Pedras e do Anhumas”, afirmou Ferrari.
A evolução
Há 17 anos
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