quarta-feira, 26 de novembro de 2008

De pai para filho

A paixão pelos carros antigos pode surgir de uma relação entre pai e filho. Paulo Gabarra, 50 anos, herdou do pai o gosto por carros antigos. A brincadeira começou em 1978 quando seu pai queria adquirir um Ford 1932 de um sobrinho, mas estava apertado financeiramente. O engenheiro resolveu vender seu Ford Corcel do ano e comprou um Chevette 1976. Com o dinheiro que sobrou comprou o fordinho e o deu para o seu pai. “Foi uma emoção muito grande para nós dois. Nunca vou esquecer a satisfação dele ao receber o carro”, afirma.
“Até então eu era indiferente aos carros antigos. Depois que eu me formei e comecei a trabalhar, a situação financeira tornou-se aos poucos mais tranqüila e o meu interesse por automóveis cresceu. Eu e meu pai temos hoje uma coleção”. Entre eles há uma Romi-Isetta, veículo que Gabarra levou mais de 10 anos para comprar. Ele conhecia o dono de uma que nunca se dispunha a vendê-la. Até que um dia, procurando na Internet, ele achou uma e a identificou como sendo desse mesmo dono. “No dia seguinte antes de ir para o trabalho, fui até a empresa dessa pessoa e fiquei à sua espera. Quando ele chegou entreguei-lhe um cheque e finalmente a Romi-Isetta era minha”, conta. Em seguida Paulo tinha um problema: como chegar em casa com mais um carro antigo? A solução encontrada foi presentear a mulher com o automóvel. Por precaução, ele colocou os documentos em seu nome, para evitar o risco de ela se desfazer do simpático veículo de três rodas.
Na sua coleção constam Chevrolets (1928, 1941, Impala 1966), Karmanguia 1966 (presente de sua mãe para seu pai), perua DKW-Vemag 1964, Mercedes-Benz (350SE 1975, 500SL 1992). Um de seus modelos considerado raro aqui no Brasil é um Chevrolet 1950 conversível. Para Gabarra, seu hobby é uma maneira de guardar memória de uma época. “Gostar de carro antigo é ser criança com um brinquedo de tamanho maior”, diz.
O engenheiro também é membro de dois clubes de veículos antigos: o “Faixa Branca”, e o “Clube de carros antigos da Mercedes-Benz”. Nesses locais, existe a oportunidade de se fazer amizades e também de trocar peças e informações, além dos encontros e passeios promovidos por eles. “O mais importante dos eventos de carros antigos é o convívio. Os amigos sempre ajudam na procura de peças e detalhes do automóvel e isso é importante pois estamos sempre buscando a perfeição nos nossos brinquedos”, comenta. Para Gabarra ouvir elogios dos outros sobre o seu carro é uma massagem no ego: “Tenho orgulho dos meus ‘filhos bem arrumados’”, explica.