quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Paixão pela restauração

Quem observa um carro antigo restaurado na rua não imagina o trabalho que existiu por trás da reforma. Nem todos os colecionadores de automóveis antigos adquiriram seus carros em perfeito estado. Muitos reconstroem a partir de uma carcaça e vão à cata de peças, que é o maior desafio.
Luiz Carlos Scarponi, 55, proprietário de uma oficina mecânica especializada em carros antigos, no bairro Jardim Eulina, de Campinas, sabe na pele a dificuldade de encontrar determinadas peças. “Às vezes passo dias viajando para conseguir um carro ou uma peça, dependendo da raridade do veículo. Já houve um caso em que precisei ir até o Paraná”, conta Scarponi.
Além de trabalhar com os carros em sua oficina, “Carlão”, como é conhecido por lá, também coleciona automóveis desde os 15 anos, em especial caminhonetes da marca norte-americana International (1951 e 1959), raras de ver por aqui, inclusive nos encontros de carros antigos. Entretanto, elas estão desmontadas e reformá-las é uma questão de tempo e dinheiro. “Para você fazer de qualquer jeito, fica até barato, mas eu gosto de fazer de um jeito que volte a ficar novo, por isso se torna um hobby caro. O carro depois de pronto fica muito bom, aí devolve em prazer todo aquele trabalho”, afirma Luiz.
Um carro antigo pode ultrapassar o custo de R$ 100 mil reais em sua reforma. “Você faz com o dinheiro que sobra. Reforma pra preencher um ego seu, pois na hora em que você põe na rua o carro pronto, todo o seu trabalho é recompensado. A maioria manda fazer, mas no meu caso mesmo eu faço, principalmente a parte de mecânica, funilaria e adaptação de carroceria”, comenta. O difícil do carro antigo não é a tapeçaria, a pintura ou a mecânica. O mais difícil é a funilaria, a parte estética.
Carlão aprecia não apenas os carros originais, mas também os adaptados chamados de Hot Rods (com características de original, porém com mecânica moderna). Um deles, pertencente à sua coleção, é um Ford 1929 que está sendo montado sober o chassi de um Fusca.
Para Luiz, o hobby traz uma paz de espírito muito grande. Assim como o pescador fica na paz quando está pescando, também fica o colecionador quando esta mexendo com seus carros. “A gente costuma dizer que colecionador tem ferrugem no sangue”, diz. Para ele, o carro que fez parte da infância traz boas recordações e, quando há o reencontro anos mais tarde, o coração fala mais alto. Foi assim com o Brasinca Uirapuru (esportivo nacional produzido de 1965 a 1967). Quando criança ele desejara possuir um, sonho realizado há poucos anos.
Pela sua garagem já passaram um Jaguar, um Lincoln e um Dodge 1934 “barata”, o mais raro de sua coleção (no Brasil só existem 3). Ma,s com o tempo ele foi se desfazendo de algumas raridades e adquirindo outras. Houve uma época em que chegou a ter 16 carros. “Por causa dos afazeres do dia a dia, acabei deixando o hobby de lado. No futuro, quando eu me aposentar, vou dedicar mais tempo aos meus carros”, comenta.
Scarponi gosta de participar de encontros de automóveis antigos, entretanto só quando comparece quando está com um, pois sempre lhe perguntam quando é que ele finalmente vai montar as caminhonetes. “Há muitas ocasiões em que a gente compra um carro, mas nele está faltando tudo. Aos poucos você vai juntando as peças. Existem veículos que levam mais de 10 anos para montar. Cada carro tem um toque especial de seu dono. Por mais que se façam dois carros da mesma marca e do mesmo modelo, jamais serão idênticos”, conta Luiz Carlos.
Antes de começar uma reforma, o mecânico visualiza no papel como vai ficar o resultado final, para não correr o risco de, no meio do projeto, ter que refazer tudo por causa de um detalhe. É um trabalho árduo que, como já dito anteriormente, consome muito tempo e dinheiro.

Nenhum comentário: