quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Antigomobilismo

Colecionadores de carros antigos são apaixonados pelos seus brinquedos por uma série de razões que, em geral, envolvem a emoção. Muitos são admiradores desde crianças que na idade adulta conseguiram realizar o sonho de infância. Pode ser o carro que foi do pai ou aquele que era objeto de desejo entre os mais afortunados. “Desde pequeno, sempre gostei de carros. Quando eu era jovem, não tinha condições de comprar. Agora que o tempo passou, já posso”, diz Fernando Eugênio Filho, colecionador desde 1978. Porsche, Karmann-Ghia, Fusca, Alfa Romeo, Ford 29 e Mustang são algumas das raridades que ele guarda na garagem. “Sempre falo que não vou mais comprar carros. Aí vejo um bonito e tenho uma recaída”, confessa. Seu “xodó” é o Porsche 73, com ele há dez anos.
O chamado antigomobilismo, além de ser uma maneira de reviver o passado, serve também como preservação da história de máquinas que marcaram épocas e tendências. Os sedãs de luxo, por exemplo, como Cadillacs, Impalas e Landaus, vêm de um tempo em que gasolina era barata e os motores consumiam muito. “Hoje, posso dizer que a Romi-Isetta teve papel fundamental na minha vida. Se não fosse por ele, não teria formado minha família”, conta o comerciante Antonio Carlos Migotto. Ele explica que o carro de três rodas, o primeiro a ser fabricado no Brasil em 1955, foi o grande responsável por tê-lo levado a conhecer sua esposa, Silmara, já que o sucesso que a raridade fazia era grande. “Quando conheci minha mulher, fui buscá-la em casa com a Romi-Isetta e aproveitei para apresentar o carro para família a inteira.” Como não poderia deixar de ser, no álbum de casamento o carro teve seu lugar reservado.
Muitos dos automóveis adquiridos pelos aficcionados são restaurados. De um ferro-velho renasce um carro que traz todo o charme de uma época. Restaurar um veículo durante meses ou até anos também faz parte do prazer dos colecionadores. Não há limites no desafio de encontrar peças e acessórios originais para fazê-lo rodar novamente e deixá-lo do jeito que saiu da concessionária. E o resultado é sempre satisfatório e compensador.
Carro de coleção entende-se por carro de garagem, cujo dono gasta tempo e dinheiro, tudo em nome da paixão. O proprietário costuma rodar de vez em quando e não gosta de emprestá-lo a ninguém (é mais comum observá-los em encontros específicos). Também odeia ser incomodado por pessoas que perguntam se o carro está à venda e não jamais revelam cifras. O verdadeiro colecionador não vende, por melhor que seja a oferta. Trata-se de uma paixão sem preço.
Tamanha admiração por automóveis resultou no surgimento de clubes, que reúnem pessoas que falam a mesma língua. E daí surgem amizades, uma vez que os membros compartilham história, bons momentos, encontros e até peças. “O clube congrega amigos que gostam da mesma coisa. A gente se reúne todos os sábados, fazemos passeios, ‘ralllies’, é uma coisa saudável e divertida”, completa Eugênio Filho, diretor social do MG Clube. O intuito do Clube da Romi-Isetta e Micro Carros, fundado em 1979 e hoje presidido por Migotto, é o mesmo: reunir pessoas que conservam o veículo que representa a história da indústria automobilística nacional.
Dizem que os colecionadores vivem em um mundo à parte. Como entender alguém que gasta muito dinheiro para reformar um carro antigo? Pode ser que a família do colecionador desaprove o gasto. Precisa ser um apaixonado por carros que nem ele para compreender.

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