segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Resenha: Sempre Alerta

Resenha desenvolvida na disciplina de Teoria do Jornalismo


O texto retirado do livro Sempre Alerta, de Jorge Cláudio Ribeiro mostra como não é fácil a vida de um jornalista, através de diversos aspectos que permeiam sua profissão.
Os chefes são as figuras mais temidas pelos jornalistas, pois são eles que ditam as regras e servem de entrada para o universo do mundo da redação. Aliás, é esse o foco da narrativa: o mundo dos jornais. Quem tem o manejo da equipe e da carreira do profissional de quem lhe está submetido é o editor, assim muitos redatores tendem a redigir de acordo com o enfoque dos chefes.
Para seduzir os jornalistas, Cláudio Ribeiro conta que a prática do aliciamento (sedução, suborno, incitação) é muito comum para ganhar a confiança do indivíduo, principalmente no caso dos novatos para conquistar a submissão. Nesse ponto entra o valor do salário, não só em números especificamente, mas como um símbolo que mede a dedicação e competência do profissional.
O prestígio que um jornalista recebe diante de uma matéria publicada também faz parte dessa trama envolvida no aliciamento. Segundo o autor “a assinatura de matéria exerce forte atração, sobretudo para os jornalistas iniciantes que pretendem adquirir visibilidade”.
Entre os jornalistas de uma redação é comum o laço em grupos, em que os integrantes compartilham afinidades e ajudam uns aos outros. Nesse aspecto, um chefe bem sucedido e bem entrosado com a sua equipe, sabe reconhecer seu potencial e às vezes também compartilha do prestígio.
A promoção de um profissional inexperiente nem sempre é vista com bons olhos, já que ele ainda não lidou com diversas situações e lhe faltam termos de comparação. Cláudio Abramo diz no texto que “o jornalista precisa ter muito contato com o mundo exterior”. Aliás, o texto de Ribeiro é cheio de citações e comentários de outros autores como Robert Darnton, Karl Marx, Lins da Silva e o próprio Abramo, já citado. O autor também extrai informações do Manual da Folha de S. Paulo, assim ele enriquece seu texto no curso de seu raciocínio.
Ribeiro diz também que para completar o sistema de aliciamento, a coerção (repressão) também é necessária para a disciplina e faz parte da vida do profissional. A disciplina garante o monopólio da gerência.
A tensão também é uma característica da vida de um jornalista, que traz muitos pontos negativos na produção, ela mata a criatividade. A hora mais crítica da tensão é a hora do fechamento, em que os nervos afloram. Segundo o manual da Folha “deve tomar uma série de decisões em curto período e fazê-los cumprir com energia”. As edições diárias são as que mais exigem do profissional, assim é necessário um grande esforço para aparecer com freqüência e ganhar destaque. A rotatividade, justificada pelo autor como rotina e não como lamento, também gera tensão, já que o profissional precisa adaptar-se a novas situações dentro de curtos períodos de tempo.
O duplo discurso, item também discutido por ribeiro, revela que o jornal tem um duplo interesse, como serviço público e como meio de ganhar dinheiro.
A confiança e a competência também permeiam os jornalistas, já que ganham confiança quando demonstram competência. Porém, quando se ganha muita confiança, o profissional se sente com um poder que não lhe pertence, o prestígio sobe à cabeça levando-o a achar que também é dono do jornal.
Diante dos vários aspectos discutidos e, de outros que estão presentes no texto, parece que o autor faz uma espécie de terrorismo acerca da profissão. Coloca medo e apreensão, dá exemplos daquilo que é mais difícil, do que exige mais cuidado na vida do jornalismo. Ele mostra com exemplos e depoimentos de outros autores a realidade como ela é na pele, afinal todos sabem que a vida de um jornalista não é nada fácil. Assim ele deve estar sempre alerta ao chefe, aos fatos, às oportunidades, ao aliciamento, à coerção, à disciplina, aos colegas de redação, á tensão, a rotatividade, ao ritual da empresa, ao próprio ego. O texto serve então de alerta ao jornalista, num tom sério, mas com o gelo quebrado por comentários e exemplos.

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