Pauta especial elaborada na disciplina de Jornalismo Multimídia
Entrevista: psicóloga Margareth Brigante
Quando se fala em violência entre os jovens, logo se pensa quais são os fatores que levam a esse problema. O que os pais e a sociedade pode fazer para intervir em situações de agressões? Foi pensando nessas questões que a equipe do Blogue Juventude e Violência foi até o consultório da psicóloga Margareth Brigante, 48, para que ela analisasse alguns casos que tiveram presença marcante na mídia e outros que julgou importante.
Brigante se formou na Universidade São Marcos (SP), em 1983 e já trabalhou na Psiquiatria no Hospital das Clinicas da Unicamp, na creche da Unicamp e atualmente trabalha em seu próprio consultório em Barão Geraldo, Campinas, SP.
Na entrevista, a psicóloga aborda o psiquismo fetal e os diversos motivos que levam o jovem a cometer um ato violento.
Leia a entrevista na integra:
Blogue J&V - O caso de Suzane Von Richthofen é um caso polêmico. Em sua opinião, o que levou essa jovem a matar os próprios pais, sabendo que ela era uma jovem de classe média alta e foi criada e educada da melhor forma possível comparada a outros jovens?
Margareth - Essa colocação me faz pensar no conceito de educação. O que de fato é educar um filho? Nós não podemos perder de vista as necessidades de qualquer criança, seja uma criança de uma família de nível socioeconômico baixo, seja uma criança como a Suzane, que teve provavelmente as melhores escolas, boas roupas, enfim outras oportunidades. Em termos de educação, a necessidade de qualquer criança é a de que esses pais sejam uma referência positiva, o que então envolve a possibilidade de se fazer um vínculo verdadeiro com essa criança. Mas será que o fato de as pessoas morarem debaixo do mesmo teto é garantia de que elas tenham um vínculo afetivo? Acho que não, você pode morar com algumas pessoas e não sentir que você tem intimidade verdadeira com elas. Por que será que algumas pessoas não conseguem fazer vínculos verdadeiros? Podem ser inúmeros motivos. No caso de Suzane ela pode ter se sentido rejeitada, essa rejeição pode ter sido intra-útero, ou seja, durante a gestação. Existem pesquisas científicas a respeito de psiquismo fetal, o quanto que um feto pode absorver essa rejeição por parte da mãe. Não estou falando que os pais são culpados, são circunstâncias muitas vezes em que os pais não estão preparados para educar filhos, não conseguem se doar adequadamente, então se cria uma série de lacunas e as necessidades intrínsecas de qualquer criança ficam sem respostas. Podem tomar lugar os sentimentos que seriam contrários a um vínculo afetivo. Seriam vínculos negativos: agressividade, hostilidade, raiva, sentimentos com muita intensidade numa forma de defesa; “porque que essa pessoa não me aceita?”. “Porque que eu não me sinto parte integrante dessa família?”. Os pais da Suzane eram pessoas de estudo universitário, trabalhavam bastante. Não se sabe exatamente o que de fato causou este distanciamento afetivo, mas com certeza a formação da identidade de uma criança precisa ter como raiz na sua formação, a referência dos seus pais, e isso só pode acontecer se houver uma relação de verdade com esses pais. A agressividade é latente em qualquer ser humano; agressividade é diferente de violência, por exemplo: duas crianças pequenas estão brincando e uma rouba o brinquedo da outra, com muita facilidade, aquela criança pode morder a outra. Dentro do universo infantil isso é normal, morder, puxar o cabelo, derrubar, gritar. São manifestações dessa agressividade, dessa indignação porque ela se sentiu contrariada. Então naquele momento em que ela perdeu o brinquedo, ela se sentiu muito frustrada e se os adultos ao redor não ajudam essa criança a lidar bem com esse momento de frustração, aquilo pode se cristalizar dentro dela. Ela começa então a acreditar que ela é ruim. Eu já tive crianças no consultório com temperamento muito intenso, muito forte, com muitos repentes de agressividade, que eram rotuladas de crianças ruins, de crianças com mau caráter. Os próprios pais colocavam isso: “eu pus no mundo um monstrinho”, eu já ouvi isso de pais. Então o que será que um rótulo não faz com uma pessoa, seja ela qual idade tenha? Só faz estrago, quando você rotula alguém, você não enxerga a pessoa. Tendo em vista isso, eu acredito que a violência seria todo esse processo de crescimento sem ter um norte, sem ter a ajuda dos pais, alguém que contenha esse crescimento, que possa dar nomes a isso, chegar e falar: “Olha você ficou com muita raiva, você está muito bravo. Mas será que é a melhor forma de resolver isso, de você ter seu brinquedo de volta?” Então na verdade quando você age assim com uma criança, você está dando para ela uma referência de como ela pode agir, ou seja, ela não precisa apenas ser agressiva para resolver o problema.
Se uma criança não aprende desde pequena a lidar com a sua própria frustração, isso só tende a piorar, porque do ponto de vista social, ela vai ser estimulada a acreditar que tudo ela precisava para ontem. Ela não aprendeu que ela precisa trilhar um caminho para conseguir alguma coisa que de fato ela queira muito. Então a violência acaba sendo uma manifestação deste imediatismo, dessa busca de prazer imediato somado a banalização da vida humana porque a formação de vínculos está muito precária na nossa sociedade.
Blogue J&V - Você acredita que casos de violência estejam relacionados a distúrbios psicológicos e de caráter? Por quê?
Margareth - Quando eu trabalhei na Psiquiatria Infantil aqui no Hospital das Clínicas, nós tínhamos uns protocolos em que, depois de fazer a anamnese (uma entrevista feita pelo médico ao paciente que busca relembrar todos os fatos que se relacionam com a doença e à pessoa doente) com a criança e com os pais, de fazer um processo de avaliação para fechar um psicodiagnóstico, nós tínhamos lá ‘n’ quesitos: distúrbio reativo que era o mais leve, distúrbio do comportamento, distúrbio da personalidade, distúrbio do caráter, distúrbio de conduta, do ponto de vista do agravamento daquele quadro. Então nós tínhamos várias opções, por quê? Por que existe uma necessidade também, dos profissionais e da sociedade de uma maneira geral de definir o que está acontecendo com aquela pessoa que está fora dos padrões esperados de comportamento. Então isso que você esta me colocando nada mais é do que uma tentativa de nomear alguma coisa que está fora deste normal. Eu não gosto, particularmente pela minha experiência profissional, de definir diagnósticos dessa forma, de dizer: “Olha essa pessoa tem um distúrbio de conduta, de caráter, de personalidade”, ela tem um distúrbio sim. A palavra distúrbio já diz que há algo que está fora do centro do prumo, está fora de controle, do autocontrole dela. O prefixo “dis” já vem na contramão, é do avesso. Eu diria que alguns casos que não são tratados acabam se transformando em pessoas com distúrbio sim.
Blogue J&V - No seu ponto de vista, uma pessoa pode nascer com o caráter predisposto à agressividade?
Margareth - Predisposto? Eu acho que essa palavra é um pouco perigosa. Como eu acredito na questão do psiquismo fetal, eu tive experiências muito interessantes ao acompanhar gestantes, acompanhar histórias de gestação da criança e depois a criança, ao vivo e a cores durante um tempo. Eu me surpreendi muito com algumas observações que eu tive o prazer de ter na minha vida profissional. Então eu não sei se é predisposto ou se é reativo, porque se um bebê que está lá dentro da barriga da mãe, que deveria ser chamada de hotel cinco estrelas, porque lá ela tem todo o conforto e tudo aquilo que ela precisa. Mas mediante uma situação de caos familiar, vamos imaginar que os pais sejam pessoas descontroladas emocionalmente, ou um dos cônjuges, por exemplo, é alcoólatra, imagine essa cena, com há muito barulho, muita gritaria, pode haver algum nível de agressão física, então você imagina que a descarga de adrenalina que essa mãe vai despender na corrente sanguínea vai ser grande mediante a possibilidade de ela apanhar. Principalmente porque, qualquer mulher quando está grávida, tem um instinto muito mais aguçado de sobrevivência em função do bebê, ela muda o comportamento. Então essa carga de adrenalina na corrente sanguínea é como um veneno para o feto. Não é para ele receber aquilo, então já é um estímulo muito grande que vai acontecer neste feto, ele pode ficar elétrico. A gente sabe por estudos que o bebê dorme períodos até longos dentro da barriga da mãe, mas mediante essas descargas de adrenalina isso pode não acontecer. Eu acompanhei uma criança cuja mãe no oitavo mês de gestação recebeu uma ameaça de faca do marido, e ela se encolheu na cozinha, ela narrou isso com todos os detalhes e ficou com muito medo, mesmo porque o marido estava alcoolizado e gritava muito. Estudos dizem também que no oitavo mês de gestação o bebê já escuta sons externos e principalmente a voz da mãe e do pai ele já reconhece. Depois que essa criança nasceu, a mãe já estava separada desse marido, ele fazia visitas juridicamente acompanhadas, foi se tratando e quando essa criança estava com cerca de dois anos de idade, esse homem então começou a se apresentar para essa criança. Esse menino tinha um verdadeiro pânico quando ele escutava a voz do pai. Houve um registro real da voz desse homem com aquele momento de pânico da mãe na barriga com a descarga da adrenalina. Todas essas associações que ele faz ficaram registradas, a memória do feto é diferente do nosso processo de memória, mas ela existe. Então nós tivemos que fazer o trabalho de reaproximação desse pai com essa criança porque de fato ele se regenerou do ponto de vista do alcoolismo. Eu estava sempre junto nas sessões de aproximação e o menino se escondia atrás de mim ou atrás da mãe. Ele abraçava a perna da gente e ficava espiando o pai, mas ele tremia, era uma coisa forte. Então eu trocaria a palavra “predisposto”. Eu acho que existem algumas situações que são vividas com muita intensidade que de fato podem interferir na vida dessa criança.
Blogue J&V - E a sociedade também pode interferir na vida dessa criança?
Margareth - Sim. Eu vejo cada indivíduo da seguinte forma: imagine três arcos com intersecção. Então você coloca a criança, a família e o ambiente. Cada um de nós já nasce com uma bagagem própria, que ninguém rouba de nós, teremos o nosso temperamento, nossos gostos, o nosso jeito de ser. E eu que já trabalhei em berçário 17 anos, falo isso de camarote porque é uma belezinha ver aquela turminha de um ano e cada um com a sua característica, com o seu jeito de ser. E a criança já mostra isso, suas tendências, até de gosto em relação à comida: aqueles que preferem o doce, aqueles que preferem o salgado. Aquela criança que já e mais tolerante, aquela que tem a tolerância baixíssima, aquela que é mais carinhosa, a que já é mais, não diria egoísta, porque a criança ainda nessa idade não é um ser social ela não pode ser egoísta, ela é egocêntrica. Então a gente já vê tendências na vida dessa criança, tem a criança com a sua bagagem, a família como a sua primeira escola (escola da vida eu me refiro, porque se a criança dentro da família puder aprender a se relacionar, aprender a se posicionar e a dizer “olha eu não concordo” e isso ser visto como uma coisa negativa, ela vai estar mais preparada para a sociedade). Agora, quando ela cresce, o social vai tendo um peso muito maior na vida dela em termos de significado, mas a raiz dela é a família, o primeiro núcleo social importante da vida de uma criança é a sua família. A sociedade vai interferir, mas dependendo dessa estrutura ela vai interferir mais ou menos de maneira positiva ou negativa. Ela vai ter referências para fazer o contraponto? Essa é uma pergunta que depende do crescimento dela, das oportunidades que ela vai ter. Então é relativa essa interferência, mas é real.
Blogue J&V - O que se passa na cabeça de um pai quando ele bate em um filho? O jeito que ele trata o filho influência no caráter da criança?
Margareth - Pela minha experiência, esse pai provavelmente foi criado dessa forma. Se ele passou por isso, ele apóia a referência de educação e de autoridade que ele internalizou para ser respeitado, para exercer a autoridade, ele precisa disso porque foi isso que o pai dele fez com ele, ou que o avô fez com ele. O núcleo aonde ele cresceu tinha isso como valor. Entretanto, a referência de autoridade desse pai está extremamente equivocada, e é um fato psíquico que quanto mais rígida a pessoa é por fora, ou seja, nas suas ações, mais frágil ela é por dentro, então essa rigidez na verdade é uma tentativa de não perder o controle. Diante da rebeldia de um filho, a necessidade que esse pai pode ter de controlar aquela situação, de não perder o rumo daquela criança, ele vai buscar dentro dele o saber que ele tem. E a capacidade de fazer diferente também é um recurso pessoal porque senão eu estaria dizendo que todas as pessoas que apanharam dos pais vão bater nos filhos. Se uma pessoa não tem um recurso próprio para trabalhar isso e reconhecer que isso não é o melhor, ela vai repetir o modelo sim.
Blogue J&V – Que tipo de transtorno possuem aqueles jovens de classe média alta do Rio de Janeiro que espancaram uma empregada doméstica?
Margareth - Eu diria que é uma sociopatia. O sociopata é diferente do psicopata. A sociopatia tem algumas características que envolvem justamente as diferenças de classes sociais, ou seja, o uso de poder que envolve classes sociais. Porque a empregada doméstica? Talvez exista aí um viés na personalidade destes jovens de se considerarem ou de precisarem se considerar acima da vida em termos de poder, quer dizer, “Eu sou de um nível sócio-econômico maior e a sociedade não vai me penalizar porque o meu pai é X, Y ou Z”, isso acontece, a gente sabe disso, “Eu estou com raiva do mundo e preciso descarregar em alguém”. Volta de novo a frustração, vai saber por que eles estavam com raiva. Ou simplesmente usaram alguma droga ou álcool e a gente sabe que isso pode baixar um pouco as defesas de norma de conduta e esse lado mais obscuro da personalidade acaba aparecendo com mais facilidade. Não que toda pessoa que bebe faz isso. Eu acredito que seja um viés de sociopatia.
Blogue J&V - No mundo contemporâneo a violência pode estar ligada à tecnologia e valores materiais?
Margareth - O ser humano possui na sua natureza características que não são louváveis, todo ser humano sente inveja, pode mentir, pode ser maledicente, e a partir destas questões muito primitivas da natureza humana ele pode crescer nesses desvios. Relacionar a violência com o nosso mundo contemporâneo é um pouco complicado. Eu não faria essa relação causal, porque se a gente olhar para a história da humanidade, não existia tecnologia, mas sempre existiu violência. Se a gente voltar na idade dos romanos, que colocavam homens como comida para os leões, isso é a banalização da vida humana. Existe algo dentro do humano que é muito pequeno, que é muito ruim. E isso precisa ser trabalhado, percebido e reconhecido e precisa haver o desejo de mudar, e eu pontuo novamente os recursos de cada um (de você reconhecer coisas ruins dentro de você e falar ”Não, eu não quero isso!”). Nós fazemos escolhas todos os dias. Então eu não faço essa relação causal entre violência e tecnologia.
Blogue J&V - No caso do sul-coreano que matou colegas no massacre em universidade na Virgínia: o que o levou a fazer tal atrocidade?
Margareth - Comportamento autodestrutivo do ser humano, quando o ser humano antecede a destruição do outro, porque se a vida dele não tem valor, então a do outro também não tem, é um jogo de espelho. Eu acredito que essas pessoas passam por um processo em que elas não existem psiquicamente falando. Existe uma auto-estima nula, uma autoconfiança também nula e dentro dessa nulidade de existência o outro também não precisa existir. E essas pessoas ficam muito sujeitas a agirem por instinto. É uma situação muito primitiva.
Blogue J&V - O que você acha de jovens que vendem o corpo? E o adulto que abusa desse corpo?
Margareth - A dor emocional que estes jovens experimentam é muito grande. Infelizmente eu posso dizer que 70% dos jovens que vendem o seu corpo precocemente passam por abuso sexual dentro dos lares. Isso foi um dado que me surpreendeu quando eu tive um contato com essa população, com essa realidade. O que representa para uma criança de 10, 11 ou 12 anos quando ela começar a ser molestada pelo seu tio, ou padrasto ou irmão mais velho dentro de casa? Ela não tem voz para reagir. Normalmente essas crianças são ameaçadas. São pessoas sem voz, que não existem psiquicamente, só existem enquanto corpo. É uma destruição da identidade da vida emocional, de vínculos. É uma dor psíquica muito intensa que esse jovem experimenta.
Existem estudos que mostram que as pessoas que abusam de menores são os abusados, é uma bola de neve. É uma incapacidade de transformar aquilo que você viveu. Eu acompanhei durante um tempo, profissionalmente, uma mulher que era de Goiás, que experimentou essa vida lá quando jovem e veio para o estado de São Paulo na tentativa de fugir daquela realidade porque ela acreditava que aquilo tinha a ver com a pobreza do lugar onde vivia. Quando ela chegou aqui, ela também encontrou um caos, passou fome, não conseguiu emprego e acabou continuando nesse espaço de vender o corpo. Só que ela tinha um desejo muito grande de sair daquilo. Todo o dinheiro que ela conseguiu, ela usou para estudar. Hoje ela é uma docente da Unicamp. Qual o diferencial? Era o desejo e ela tinha recursos próprios para superar aquela dor e isso é individual. Cada um de nós é único.
Blogue J&V - dos casos que você já citou você poderia ou gostaria de citar algum caso de algum paciente?
Margareth - Eu atendo uma mulher, atualmente por volta dos seus 42 anos, e eu diria que a violência que ela sofreu na infância foi a indiferença. Eu fiz questão de colocar este caso porque nem sempre a violência está relacionada com agressão física. Hoje ela tem uma dificuldade muito grande de lidar com os filhos porque ela sofreu grande indiferença por parte da mãe. Depois ela veio saber da história: a mãe não a queria, foi uma gravidez indesejada, a mãe estava buscando a separação desse pai e foi uma relação sexual forçada. Essa mulher que se sentiu ultrajada com tudo isso, não conseguia ser mãe. E ela cresceu, casou e tem dois filhos homens. O tempo inteiro ela está buscando dentro dela fazer diferente, mas ela veio buscar ajuda porque a rigidez com que ela sempre tratou os filhos e o marido era decorrente dessa falta de controle e falta de crédito em si mesma. Eu chamo isso de violência emocional e psíquica muito grande.
Blogue J&V - Qual a influência dos jogos eletrônicos violentos na conduta e na agressividade do jovem?
Margareth - Influência negativa. Porque incentiva a nossa natureza negativa. Além da questão da agressividade, está a competição, a rivalidade e a hostilidade. A nossa sociedade é muito competitiva, as pessoas se rivalizam por tudo e por nada. Eu vejo que não agrega valor. Proibir os filhos de jogarem esses jogos é ser cego, mas é bom poder proporcionar outros interesses para que a pessoa não fique focada.
Blogue J&V - No caso dos jovens que arrastaram o garoto João Hélio, o que os levou a cometer tal ato com uma criança?
Margareth - Os garotos estavam em fuga e seu comportamento foi o de não expor que eles estavam fazendo algo de errado, seu instinto foi o de sobrevivência; fugir é uma coisa primitiva. São pessoas que não tem a referência de que a vida deles tem valor, e por isso para eles, a vida de mais ninguém tem valor. Era mais importante que eles conseguissem fugir. O objetivo deles naquele momento era o roubo e a fuga. Fazer aquele assalto e conseguir fugir ia dar um prazer imediato a eles. Segundo artigos escritos, esses bandidos costumam contar seus feitos com muito prazer, como se aquilo merecesse mesmo aplausos. Os valores dessa pessoa são muito diferentes dos nossos do ponto de vista de formação de vínculos. A história de vida deles teve buracos.
Blogue J&V - Em sua opinião, o que é possível fazer para alterar o quadro de violência feito e sofrido pelo jovem?
Margareth - É preciso humanidade. Quando eu falo em humanidade, eu penso em condições humanas supridas. O ser humano não tem condições de se sentir humano se ele não se sentir valorizado, isso é condição sine qua non. Ele é um ser que precisa viver em família, está tem que ter condições de se manter estruturada, e para isso, ele precisa estar dentro de uma engrenagem chamada sociedade. Essas engrenagens estão quebradas, as pessoas se casam, mas não conseguem constituir uma família, o numero de separações é muito grande. O ser humano precisa viver junto de alguém, ele tem sonho, ele quer se relacionar, ele quer viver em família, mas essas engrenagens estão quebradas. Por exemplo, quando um casal esta lutando para não se separar, mas ambos estão desempregados, a família entra no caos por causa de privações e os filhos em contrapartida estão indo juntos nesse processo. A palavra humanidade me remete a pensar em questões de dentro para fora e de fora para dentro, por que o ser humano precisa ter condições para se sentir humano, para se reconhecer como um humano.
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