Resenha desenvolvida na disciplina de Teoria do Jornalismo
O texto do capítulo retirado do livro Sobre Ética e Imprensa de Eugênio Bucci relata uma análise do jornalismo a partir de sete pecados capitais e dez mandamentos propostos por Paul Johnson.
Antes de iniciar sua discussão, Bucci comenta a respeito de outros dois autores que fizeram listas de pecados que merecem atenção. Um deles é Marcelo leite e cinco dos seus problemas são destacados por serem preocupantes. O outro é Ciro Marcondes Filho, que escreveu sobre doze deslizes em seu livro A saga dos cães perdidos, merecendo destaque seu décimo segundo que diz respeito à omissão da identidade do jornalista para obter confidências. Eugênio Bucci optou pela grade sugerida por Johnson pela simplicidade com que ela organiza o debate.
O primeiro dos pecados é a distorção que pode ser deliberada (mentira deslavada e consciente), facilmente confundida com abuso de poder, sendo que no caso do Brasil ela não se deve apenas à má intenção de editores e donos de jornais, revistas ou emissoras de televisão e rádio, mas tem uma origem na propriedade dos meios de comunicação eletrônicos de massa, já que o grupo que exerce o monopólio fala sozinho no espaço público sem sofrer contestações. A outra distorção é a inadvertida, que diz respeito estritamente à competência interna das redações. A pressa em publicar uma revelação ainda incerta para sair na frente da concorrência é uma das principais causas dessa distorção. O segundo pecado é o culto das falsas imagens, que diz que a conseqüência da confecção da realidade espetacular se materializa nesse culto. As personagens são reais, como pessoas de carne e osso, e falsas porque sua composição segue uma coerência mais dramática do que factual. As imagens têm grande poder, determinando quais serão os temas do debate público. “A imagem organiza as palavras e passa a ser uma instância do discurso e do pensamento”. Aqui o autor se utiliza dos argumentos de Walter Lippmann, que diz que o culto dos estereótipos (imagens que as pessoas trazem dentro da cabeça e que possibilitam a compreensão do mundo) já fazia parte da natureza do relato jornalístico antes do advento da televisão, e que depois o problema se agravou. O terceiro pecado é a invasão da privacidade, já que a fofoca vende cada vez mais, gerando mais protestos. Como exemplos Bucci cita os casos de Lady Di, Bill Clinton e Mônica Lewinsky e o caso Collor. Para ele o ponto crítico não é a informação em si, mas o modo como ela é explorada pela imprensa. O sensacionalismo prejudica o jornalismo em todos os campos, principalmente no desrespeito aos padrões de elegância. Outro problema diz respeito à privacidade dos pobres que quando desrespeitada, não desperta a menor crise de consciência. O quarto pecado é o assassinato de reputação, que ocorre pela imprensa através da distorção deliberada ou inadvertida. Um caso que abalou muito a vida de acusados inocentes, vítimas de distorções inadvertidas cometidas pelos jornalistas, foi o dos acusados de abuso sexual em crianças do maternal na Escola Base em São Paulo. O quinto pecado diz respeito à superexploração do sexo. Paul Johnson adverte os jornalistas “para que não cedam às demandas dos chamados baixos instintos”, já que o sexo é um assunto preocupante. No Brasil, não só as classes mais pobres sustentam a audiência do sexo, mas também os adeptos de outras camadas sociais. O sexto pecado fala sobre envenenamento das mentes das crianças, chamando atenção para o fato de que o jornalismo não é o maior culpado. A indústria de games e a publicidade são também vilãs. O último pecado diz respeito ao abuso de poder. “Não é a veiculação de conteúdos que precisa ser monitorada pela autoridade, mas o poder que precisa ser limitado”. No Brasil as emissoras de televisão saem impunes quando distorcem as informações, o abuso de poder caminha sem a menor perspectiva de controle.
Após explicar e exemplificar os sete pecados, o autor cita dez mandamentos (que funcionam como antídotos) propostos por Johnson, que devem nortear o trabalho dos jornalistas e orientar o público.
Para concluir seu raciocínio, Eduardo Bucci faz três comentários críticos com base nos pecados e mandamentos, caracterizando algumas idéias como o mito da opinião pública, utilizando exemplos da Revolução Francesa e do Iluminismo e conceitos de outros autores, como Milton Meira do Nascimento, Jurgen Habermas, C.W.Mills e Rui Barbosa. Ele diz que o jornalismo deve continuar a trabalhar para o público e para a democracia, e os jornalistas devem ter um compromisso “com a observância e o aperfeiçoamento das regras democráticas”. Outra idéia é a do fantasma da manipulação, que não é assim tão poderoso, senão “a sociedade seria apenas uma espécie de curral dominado por capatazes maquiavélicos”. Aqui o autor cita o importante trabalho de Theodor Adorno e Max Horkheimer a respeito da manipulação. Seu último comentário discorre sobre a indistinção entre meios de comunicação e imprensa. O primeiro pode se dedicar exclusivamente ao entretenimento e o segundo deve noticiar e interpretar os fatos e dar espaço às idéias e aos debates de interesse público. Dessas particularizações surgem diferentes éticas.
Para construir seu texto, Eduardo Bucci utilizou-se principalmente dos argumentos de Paul Johnson, dando uma qualidade melhor à sua obra. O texto é longo, seu tom é sério, porém fácil de entender, seus exemplos deixam sua argumentação mais clara diante do assunto abordado.
A evolução
Há 17 anos
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