Trabalho realizado a partir de uma pauta desenvolvida na disciplina de Jornalismo Multimídia
A violência está cada vez mais sólida, se multiplicando em vários setores e atingindo diversas classes sociais. Muitos dos atos violentos são cometidos não só por adultos, mas também por adolescentes e crianças. No entanto, não podemos esquecer que a violência não remete somente a agressão física, mas também a agressão psicológica e verbal.
A violência não está só nas ruas, nas baladas da noite, nos estádios de futebol, ela está também nas escolas e cada vez mais se fortalecendo, o que faz com que a instituição não saiba quais medidas exatas tomar para amenizar o problema, ficando refém dos alunos que muitas vezes chegam a ameaçar professores, funcionários e membros da direção caso tomem algumas providências.
Marcelo Macul, 39, professor da escola municipal “EJA” (Educação de jovens e adultos), antigo supletivo, em Paulínia, SP, foi um de nossos entrevistados nesta semana no blogue Juventude & Violência. Macul trabalhou em 20 escolas, tanto públicas quanto municipais e particulares. Possui diploma de bacharel e licenciatura em Física pela FEB (Fundação Educacional de Barretos). Também possui especialização em Física Médica pela USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto (SP) e mestrado em Educação para a Ciência pela UNESP (Universidade Estadual de São Paulo) de Bauru (SP). Na entrevista o professor abordou as questões sobre a importância da escola na educação dos jovens, a influência da sociedade e a relação entre alunos e professores.
Nossa outra entrevistada foi Amélia Mariko Kubota, 29, professora de geografia, formada pela Unicamp e que trabalha desde agosto de 2004 na Escola Estadual Professor Carlos Francisco de Paula, localizada no bairro Cidade Jardim (região que concentra bastantes escolas), em Campinas, SP. Kubota já trabalhou como monitora em núcleos da prefeitura (de Campinas) que ficam na periferia da cidade, em comunidade carente com jovens.Os alunos que freqüentam a EE Professor Carlos Francisco de Paula são provenientes de bairros de classe media baixa e classe baixa, além de favelas. A professora chama atenção para a baixa intolerância dos alunos, o que gera muita discussão e agressão desnecessária.
Leia agora as entrevistas:
Blogue J&V- Você já sofreu alguma agressão física ou verbal de algum aluno? Qual foi a medida tomada por você e pela escola?
Marcelo - Agressão verbal eu sofro constantemente. É difícil hoje encontrar uma direção escolar que toma alguma medida punitiva, geralmente eu ignoro e se for algo insustentável, retiro aluno da sala de aula.
Os jovens que mais me ofendem são aqueles que duvidam da minha capacidade de educar; recentemente eu retive um aluno e ele disse que minha aula era “uma bosta” e não teria como retê-lo, como se a culpa do aprendizado dele fosse minha.
Eu o coloquei para fora da sala.
Blogue J&V - Você acredita que a educação em casa influencia na conduta do aluno? Por quê?
Marcelo - Com certeza, são dados que temos dentro da escola. Os piores problemas são causados por alunos oriundos de lares desfeitos ou que não possuem uma estrutura familiar definida.
Blogue J&V - Como é a relação entre os alunos com os professores, funcionários e diretores? Existe algum problema na direção que atrapalha o desenvolvimento escolar?
Marcelo - Entre professores e funcionários, e professores e alunos, a relação é ótima, entre professores e direção, a relação é péssima.
O corpo docente é muito competente unido e interessado no melhor aproveitamento do tempo que os alunos passam na escola (Educação de jovens e adultos). Pelo fato de trabalharmos com alunos adultos, eles reconhecem o esforço dos professores o que torna a relação entre eles muito agradável. O problema com a direção é que a mesma é despreparada no sentido pedagógico, possui vínculo político com a administração municipal (Prefeitura de Paulínia), portanto coloca suas ambições políticas acima do trabalho.
Blogue J&V - Que tipo de atitude você toma diante de um caso de agressão entre os alunos em sala de aula? Quais são as penalidades? Essas penalidades fazem com que o aluno mude de comportamento ou não?
Marcelo - Cada caso é um caso, às vezes dá para interferir fisicamente separando as pessoas, às vezes é preciso a intervenção de monitores e até mesmo da polícia. Isso geralmente quando os alunos são menores, com os maiores tenta se conversar. Existe uma punição branda pela direção, que é suspensão ou advertência verbal, dificilmente se chega à transferência compulsória - “expulsão”.
Blogue J&V – Você disse que trabalha com alunos adultos, como é esse trabalho? Eles interagem com os alunos mais novos?
Marcelo - A nossa experiência é muita boa nesse sentido por misturar jovens com alunos mais velhos, geralmente pais de família. Os mais jovens se adeqüam aos costumes dos mais velhos perdendo de certa forma a agressividade. Como professor eu tenho que assumir a postura de parceiro mais capaz, é uma definição vygotskiana, ou seja, estabelece relação de parceria com o aluno em que a aprendizagem se dá através de interação social; isso eleva a auto-estima do aluno e facilita o processo de aprendizagem em si, o aluno não se sente constrangido brincando com o professor, eu vejo esse relacionamento como um conhecimento prévio do aluno.
Blogue J&V - A violência vinda dos jovens tem influência externa?
Marcelo - Acho que a influência vem da educação vinda da família; a crise de valores da sociedade atual banaliza de forma geral a violência e essa banalização se reflete na escola. A sociedade hoje é violenta e essa violência chegou dentro da escola.
Blogue J&V - Em sua opinião existe uma saída para melhorar a conduta dos alunos agressivos que levam essa violência pra dentro da escola?
Marcelo – Em primeiro lugar é necessário valorizar a escola e o conhecimento fazendo com que os alunos percebam que a escola vai ajudá-los a ter uma qualidade de vida melhor, isso é provado estatisticamente; a cada ano de estudo você ganha 10 de vida. Resumindo: quanto mais você estuda, mais você diminui o risco de ser uma pessoa violenta.
A escola é a única ferramenta para se mudar esse comportamento, pressupondo que o jovem venha com valores alterados, que sua família não tenha cumprido com seu papel formativo, cabendo à instituição adequar esse indivíduo à sociedade e se não for à escola, ele jamais vai se adequar à sociedade.
Blogue J&V - A escola em que você trabalha cria projetos, palestras ou alguma medida que possa alterar a personalidade de alunos violentos? O que você acha disso?
Marcelo - Sim, a escola promove palestras sobre o tema (violência), palestras com a defesa civil. Também temos convênio com a secretaria de segurança, convênio com instituições de recuperação para dependentes químicos e alcoólatras. São projetos interessantes, pois conseguimos perceber mudanças de postura e melhoria nos alunos encaminhados para as intuições conveniadas. Esses dias eu mesmo encaminhei um aluno para o Bezerra de Menezes (casa de recuperação), que sofria de rejeição na família, as filhas disseram para ele que não o reconheciam como pai em função do alcoolismo, agendei a entrevista para ele na instituição e ele aceitou o tratamento até porque não adianta nada encaminhar sem a pessoa querer.
Blogue J&V - Você conhece algum professor ou funcionário que já foi agredido por algum aluno? O que aconteceu? E como esse caso foi resolvido?
Marcelo - Sim, certa vez uma aluna deu uma cadeirada na professora, e diante da atitude, a aluna foi transferida de escola. Ela era menor. Quando o aluno é maior e é denunciado no Boletim de Ocorrência, ele assume a responsabilidade. Pode haver um processo de condenação, mas depende da gravidade, na verdade o Boletim de Ocorrência apenas registra o acontecido.
Blogue J&V - Os alunos mais problemáticos têm acompanhamento dos pais junto à escola? Quando um aluno briga na escola e a direção convoca os pais, quais são as reações deles? Eles defendem os filhos e acham que o problema está no professor e na escola ou prometem tomar providências?
Marcelo - A participação dos pais está ligada à condição sócio-cultural, quanto maior esta for, maior será a participação. Geralmente os pais prometem tomar providências, mas são casos e casos, na maioria das vezes a conduta do aluno não muda. A frase comum entre os alunos é “não dá nada não”.
Blogue J&V- A escola disponibiliza psicólogos para conversar ou acompanhar os alunos problemáticos? Ou algum orientador para esses fins?
Marcelo – A escola possui uma psicóloga que trabalha com educação especial e atende alunos problemáticos, isso não resolve. Eu acho que a escola não é preparada para esses alunos e não adianta um acompanhamento psicológico se as condições deles não mudam.
Blogue J&V - Qual é sua posição de educador referente à juventude violenta nos atuais dias?
Marcelo - Professor mediador que procura valorizar o conhecimento. Se o aluno consegue agregar os valores ao conhecimento adquirido, ele automaticamente se desvincula da violência.
Blogue J&V - Como seria uma juventude menos violenta pra você?
Marcelo - A questão da violência se resume a valores: valores familiares, valores culturais, religiosos e o valor da própria vida. Hoje você tenta valorizar a vida do aluno, uma evolução como ser humano e tem uma sociedade que trabalha contra essa evolução deturpando os valores familiares e privilegiando outras habilidades que não estão relacionadas ao conhecimento, ao crescimento profissional. Posso dar como exemplo: adolescentes que querem ser pagodeiros, ou jogadores de futebol: são valores deturpados.
Blogue J&V – Você já sofreu alguma agressão física ou verbal de algum aluno? Qual foi a medida tomada por você?
Amélia - Agressão física não, e verbal algumas vezes, tanto que uma vez há dois anos eu precisei fazer um B. O (boletim de ocorrência) em uma delegacia, porque uma menina de 12 anos, com um histórico de indisciplina, se dirigiu a mim de uma forma que deu a entender que se tratava de uma ameaça. A diretora e alguns professores me orientaram a fazer um B.O. Foi o único em 3 anos. A realidade da nossa escola ainda é boa se comparada a outras que ouvimos falar.
Blogue J&V – Conhece algum professor ou funcionário que já foi agredido por algum aluno?
Amélia - Certa vez, uma funcionária da escola levou uma pedrada na cabeça e teve que ser levada para o hospital.
Blogue J&V – Como é o relacionamento entre os alunos com os professores e funcionários? E entre eles mesmos?
Amélia - Por mais que a imagem do professor esteja denegrida, no geral os alunos ainda respeitam os professores. Eles são intolerantes entre eles mesmos, por razoes mínimas costumam gerar intrigas, por causa de brincadeiras sem graça nós temos que intervir. Eles estão com uma intolerância muito baixa em relação ao outro. Acredito que seja uma falta de respeito, de um não respeitar o espaço do outro, tanto que a maioria das brigas em sala de aula não é contra o professor e sim entre eles. Já presenciei casos que assustam (um que machucou o outro com uma caneta, outro que bateu a cabeça do colega na parede). Existem aqueles que não respeitam os colegas, os professores e os funcionários. Esses alunos possuem tal comportamento por falta de formação em casa, trazem os problemas de casa e acabam repercutindo isso na escola. O aluno às vezes resolve enfrentar o professor e nós temos que tomar alguma atitude (tirar da sala e levar para a direção). Existem alguns que são muito difíceis de lidar, xingam, gritam. Os professores ficam muito expostos porque não sabem com que tipos de pessoas estão lidando. Eu não sei o que pode acontecer se algum aluno partir para cima de mim, e nós estamos sujeitos a isso. Mas isso depende muito do relacionamento do professor e dos alunos, ainda que existam exceções. A partir do momento que eu respeito o aluno e ele percebe isso, ele também vai me respeitar.
Outro dia à noite nos tivemos problemas entre dois alunos e a escola acabou tendo que chamar a policia: uma turma queria bater na outra e os professores tiveram que liberar os alunos em horários diferentes para evitar brigas, tudo isso por causa de um CD. Tudo eles querem resolver na agressão, às vezes até no revólver. Para esses, se a vida deles não tem valor, a vida do outro também não tem, por isso existem as ameaças de morte. Outros professores já fizeram BO.
As meninas também estão muito violentas, em alguns casos ate mais que os meninos. Elas brigam por causas banais, geralmente por causa de garotos. Houve um caso de duas meninas que brigaram e uma delas foi transferida de escola.
Blogue J&V – O que acontece nesses casos de transferência?
Amélia - A gente acaba transferindo o problema de lugar, eu acho que como o aluno acaba entrando em um ambiente novo, ele fica mais “na dele” no começo. Esses que são transferidos desde pequenos costumam ser muito intolerantes e criam muitos problemas, que serão carregados até a adolescência.
Blogue J&V – E você? Como é a sua relação com eles? Algum atrito?
Amélia - O meu relacionamento com os alunos é bom. Eu não tenho muitos problemas, o que mais acontece é devido à indisciplina. Os meus alunos de terceiro colegial (à noite) são mais tranqüilos que os de quinta a sétima série (à tarde). Se eles ultrapassam os limites, eu não vou mandá-los calar a boca, eu falo com jeito. O período da tarde é mais indisciplinado, alguns alunos não têm estrutura familiar. Eles são problema para vários professores. Os profissionais precisam saber lidar com os alunos. Se os alunos não vão com a cara do professor, eles pegam birra e azucrinam–o. Houve um caso de uma professora que teve os quatro pneus do carro furados, então ela nunca mais retornou. É claro que existem salas mais difíceis, não é tudo “às mil maravilhas”, mas na medida do possível, eu ainda consigo manter um relacionamento razoável com meus alunos. Eu sou enérgica, quando preciso dar bronca, eu dou, o que faz parte do cotidiano escolar.
Blogue J&V – Você falou a respeito do problema da estrutura familiar. O que acontece então na sua opinião?
Amélia - O que acontece, de acordo com a minha vivência, é que muitas crianças vêm de famílias desestruturadas, que colocam toda a responsabilidade de educação e de criação na escola. São pais que lavam as mãos, não tem mais nenhuma responsabilidade. Muitas famílias acham que crianças de 12/13 anos podem se virar sozinhos, e isso não é verdade, trata-se de um período em que o jovem está confuso, precisa de orientação e limites. Muitas mães ficaram grávidas muito cedo, com 14/15 anos, tiveram vários filhos com diferentes homens e não mora com nenhum deles. Muitos jovens foram criados pelos avós, uma vez que foram abandonados pelos pais. Eu também já tive casos de alunas que engravidaram cedo e acabaram abandonando os estudos. A escola é um lugar de educação formal, de conhecimento cientifico, mas toda a responsabilidade é jogada nas nossas costas, diretores, professores e funcionários acabam fazendo papel de psicóloga, babá e assistente social. Muito mudou desde a época que eu sai da escola. Houve uma época em que a disciplina era muito marcante, hoje já não é mais, liberou-se tanto que a coisa virou um caos. Nosso sistema é de progressão continuada no estado de São Paulo, não podemos reprovar o aluno, o que acaba tirando a moral da escola, a teoria é bonita, mas na pratica é complicado.
Blogue J&V – Que tipo de atitude você toma diante de um caso de agressão em sala de aula?
Amélia - Cada caso é um caso, já aconteceu de eu mesma intervir, geralmente eu chamo a inspetora ou algum funcionário que está fora da sala para levar os alunos para a direção. A diretora ou vice, conversa com os alunos e se necessário, chama os pais.
Blogue J&V – Esse tipo de penalidade faz com que o aluno mude de comportamento?
Amélia - Essas penalidades funcionam a partir do momento que você consegue sentar e conversar com os alunos e chamar a família, porque ela também tem responsabilidade de trabalhar a agressividade dos alunos em casa. A família precisa saber o que está acontecendo na escola. Há casos que não resolvem, às vezes a gente chama os pais 10/20 vezes e é a mesma coisa.
Blogue J&V – Como os pais se comportam mediante alguma advertência vinda da escola em relação ao seu filho?
Amélia - Alguns pais conhecem o filho que tem e confiam no nosso trabalho e no que a gente fala. É mais fácil conversar com esses pais, eles apóiam o nosso trabalho. Agora, existem aqueles pais que não acreditam na nossa palavra, que passam a mão na cabeça do filho, que acham que ele está sempre certo. É mais difícil lidar com eles, uma vez que duvidam do nosso trabalho. Eles acham que os profissionais da escola tem a obrigação de cuidar de seus filhos em todos os aspectos possíveis.
Blogue J&V – Você acredita que a educação em casa influencia na conduta do aluno?
Amélia - Dependendo da convivência que o aluno tem em casa, essa influência pode ser negativa. Se a estrutura familiar não fornece apoio, isso influencia no comportamento na escola. O excesso de violência na escola tem origem dentro de casa, eles podem ser vítima de violência em casa e reproduzir essa atitude na escola, já que sentem a necessidade de extravasar de alguma forma. O meio de convívio também pode ser difícil, alguns, por exemplo, moram em favelas.
Blogue J&V – A violência dos jovens tem influencia vinda de outros alunos da escola?
Amélia - Sim, eu percebo que eles têm um comportamento diferente quando estão sozinhos e em grupo. O grupo influencia muito e essa pode ser negativa ou positiva. Eu presenciei um caso de duas garotas, que quando juntas conseguiam extrair da outra o que era de pior, mas separadas elas eram tranqüilas.
Blogue J&V – Qual o papel da escola na educação do aluno?
Amélia - A escola tem que fornecer conhecimento cientifico e formar pessoas com valores, formar cidadãos conscientes do mundo lá fora, que possam atuar de forma positiva no mundo ou no lugar em que vivem. Os professores acabam ultrapassando o conhecimento cientifico, nós valorizamos também a cidadania, o protagonismo juvenil (que se trabalha muito hoje nas escolas publicas), a questão do respeito com o próximo. Devemos preparar as pessoas para que elas atuem de forma positiva para o mundo que ela vai enfrentar. Os jovens devem estar preparados para lidar com diversas situações, como, por exemplo, saber se portar em uma entrevista de emprego. Nós somos cobrados por essa preparação, além de todo o conteúdo que temos que passar durante o ano.
Blogue J&V – Existe uma saída para melhorar a conduta dos alunos agressivos?
Amélia - Existe, mas não é fácil, quando nos não conseguimos fazer com que o aluno perceba que a conduta dele está prejudicando ele mesmo, nós temos que transferi-lo para outro lugar depois de tentarmos todas as possibilidades. Dentro da escola pública nos não temos estrutura para fazer um trabalho completo; falta uma psicóloga e um apoio da família, assim nós conseguiríamos trabalhar melhor. O adolescente no fundo quer alguém que cuide dele, se importe, de limites, por mais que ele seja rebelde. Assim ele se sente protegido e importante. A partir do momento que ninguém se importa com ele, ele não cria expectativa nenhuma. A gente chega a fazer papel de mãe, de conselheira (quando damos abertura). Eu acho legal ter esse contato com os alunos, de compartilhar. Dessa maneira criamos um relacionamento positivo e geramos confiança. Muitos não têm com quem conversar em casa, sentem carência de compartilhar seus assuntos.
Blogue J&V – A escola em que você trabalha, cria projetos, palestras ou alguma medida de orientação aos alunos?
Amélia - A escola trabalha com vários projetos, um deles é o do protagonismo juvenil, que está dando certo, alguns alunos são dedicados e ajudam outros, organizam campeonatos e isso diminui, por exemplo, um pouco a violência na hora do intervalo e criou uma colaboração entre eles. Existem projetos como bairro-escola, em que a gente tenta inserir os alunos da escola no bairro, para que eles cuidem melhor da escola, já que existe muita pichação e depredação. Tivemos uma noite com uma banda hip-hop, que trouxe uma mensagem para os adolescentes, o resultado foi positivo. Também tentamos chamar pessoas para dar palestras, pessoas que tratem de assuntos que interessem aos alunos, todos voluntários porque nossa escola não tem verba para isso.
Blogue J&V Qual é a sua posição de educador referente à juventude violenta hoje?
Amélia - Se eu conseguir fazer com que um aluno meu tenha um futuro melhor, eu ficarei feliz. Meu papel como educadora é influenciar meus alunos para que eles consigam um futuro bom. Infelizmente existem os alunos sem nenhuma expectativa, que roubam e usam drogas, por exemplo, a expectativa de vida deles é curta. Mais do que ensinar geografia, eu ficarei muito feliz se tiver influenciado um aluno de maneira positiva, isso dá uma satisfação muito grande. Outro dia eu encontrei um ex-aluno (que meu deu muito trabalho) trabalhando como repositor de produtos no supermercado, eu quase não o reconheci porque ele estava com uma boa aparência, aquilo me deu muita satisfação, fiquei feliz porque agora ele esta criando juízo, que ele não tinha quando era meu aluno. O professor não pode esperar resultado imediato, o resultado sempre vai ser daqui a algum tempo e este pode ser positivo ou negativo. Infelizmente alguns alunos da escola já morreram em decorrência de assaltos e tráfico de drogas. É muito gratificante para o professor quando o aluno trabalha, vai para uma faculdade e constitui uma família. É gostoso quando os alunos mantêm contato mesmo depois de sair da escola.
Saiba mais:
Entrevista com Luiz Carlos Prates:
http://br.youtube.com/watch?v=nD0VIOKxJq0&mode=related&search=War
Violência psicológica:
http://br.youtube.com/watch?v=QZbZtI5AzYQ&mode=related&search=War
Casos de violência não só acontecem no Brasil, mas sim em diversas partes do mundo.
Na quarta-feira (10/10/2007), ocorreu em Cleveland, nos EUA, um crime cometido por um estudante de 14 anos. Ele deixou cinco pessoas feridas e em seguida suicidou-se.
Site: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL147977-5602,00-ESTUDANTE+DE+ANOS+ATIRA+CONTRA+PROFESSORES+NOS+EUA.html
- Outros crimes em escolas americanas são relembrados na mesma página:
o Massacre de Columbine;
o Montreal;
o Colorado;
o Wisconsin e Pensilvânia.
A evolução
Há 17 anos
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